Fraiburgo

História

 

Foto: Fraiburgo Fotos e Fatos/Facebook

Fraiburgo nasceu da saga de seus empreendedores pioneiros. Em terras antes contestadas entre a fazenda Liberata e Buitá Verde, no Planalto Serrano, meio oeste catarinense, foi onde em 1937 os irmãos Frey (Rene e Arnoldo) deram início ao povoado.

Na região, habitavam famílias brasileiras oriundas das Revoluções da segunda metade do século XIX e posseiros de grandes fazendas. Vale destacar neste período, a ocorrência do primeiro conflito da Guerra do Contestado na localidade de Taquaruçu, hoje pertencente a Fraiburgo e um dos seus mais antigos povoados.

Fraiburgo, História e Curiosidades
As primeiras fazendas surgiram por volta da metade do século XIX, depois da Revolução Farroupilha, Guerra do Paraguai e mais tarde da Revolução Federalista. Duas delas tiveram importante papel no surgimento de Fraiburgo, as fazendas Liberata e Butiá Verde.

A expressão Campo da Dúvida surgiu por que os proprietários das fazendas Liberata e Butiá Verde não entravam em consenso sobre o ponto de divisa entre as duas.

O nome Liberata é uma homenagem a uma índia velha chamada Liberata que vivia num toldo indígena às margens do Rio Mansinho.

Já Butiá Verde foi batizada em homenagem as árvores conhecidas como butiazeiro.

As primeiras famílias que habitavam a região do Campo da Dúvida teriam sido Naper ou Anaper, Fritz Burger, Aristides Ramos, Moreira, Ribeiro e Fray.

A família Frey é considerada pela História como a desbravadora de Fraiburgo, tanto é verdade que o nome Fraiburgo significa Vila dos Frey. Os irmãos René e Arnoldo foram peças fundamentais para o desenvolvimento.

Historicamente o município teve como auge as décadas de 50 e 60, com a indústria extrativa da madeira, ainda propulsora da economia. Mas foi a fruticultura que tornou a cidade reconhecida nacional e internacionalmente.

As primeiras mudas de macieira vieram da França, trazidas pelo engenheiro agrônomo Roger Biau. As variedades cultivadas mais conhecidas no mercado são Fuji, Gala, Gonden.

O crescimento vertiginoso da fruticultura elevou Fraiburgo ao título de Capital Brasileira da Maçã, tendo mais tarde sido batizada como Terra da Maçã.

A Bandeira do Contestado é um dos símbolos de Fraiburgo. Mede 98,5 cm de altura por 44 de largura. O branco significa desejo de paz e de pureza da alma, o verde, riqueza florestal. A cruz simboliza religiosidade e sofrimento.

A bandeira do município é de autoria dos professores Rui Vital Batagelo e Francisco Costella, assessorados por Antônio Peixoto de Faria. As cores verde, branca e amarela, significam colheita, paz e riqueza. O brasão ao centro representa o Governo Municipal.

A letra e música do Hino de Fraiburgo foram compostas por Vera Vargas e Sebastião Lima. Tanto o hino, como a Bandeira e Brasão foram considerados como símbolos oficiais pela lei nº 303 de 5 de julho de 1977. A logomarca Terra da Maçã é outro símbolo garantido pela lei 1836 de 29 de junho de 2005.

Os irmãos Frey chegaram ao Brasil em 19 de outubro de 1919, vindos da Alsácia, região que pertenceu a Alemanha. No entanto, a vinda a região de Fraiburgo ocorreria apenas 11 anos mais tarde, em 1930.

O município foi criado em 20 de dezembro de 1961, pela Lei n.º 797, a partir do desmembramento de Curitibanos e foi instituído oficialmente em 31 de dezembro do mesmo ano. No cenário atual Fraiburgo é considerado o maior produtor de maçãs do Brasil.

O primeiro Hotel voltado ao turismo receptivo foi o Hotel Renar, fundado em 21 de junho de 1981 pela família Frey.

No feriado de 7 de setembro de 1937, René leva Maria para conhecer Campo da Dúvida. Saem a cavalo às 4 horas da manhã, atravessando caminhos difíceis chegam a Marechal Hindemburg, atualmente Dez de Novembro, conforme registrado no Caderno de Memórias, de Maria Frey.

“(…) Seguimos viagem, passando pelo vizinho Sr. Ernesto Scholl, subindo agora numa ladeira, onde só mais tinha rastos dos pés de cavalos, onde o primeiro pisava, outros também eram obrigados a pisar, pelo chão liso devido à umidade do mato, onde os pinheiros altos e grossos se sobressaiam, com as suas copas lembrando um guarda-chuva dobrado pelo vento. Tornamos a descer e chegamos a uma tapera, tendo, como vestígio de uma antiga moradia, chorões de respeitável grossura, árvores de maçãs, de marmelos, um forno despencando coberto de roseiras trepadeiras (hoje os fundos do Hospital). Seguimos mais pouco, chegamos numa clareira onde o mato afastou-se (…) Sentamos na sombra, recostando, para fazer a nossa refeição, isto foi pão com salame e vinho (…) Pelo cansaço sobreveio uma sonolência. Ainda ouvi René dizer aqui vai ser a serraria, lá o pátio das toras pela inclinação facilita levar os troncos na serra, lá vai ter uma estrada com casas. (…)”.

Era inverno de 1938 quando começaram os trabalhos de construção da serraria dos Irmãos Frey. Para facilitar o transporte desde Perdizes até a serraria, a firma compra dois caminhões movidos a gasogênio, aparelho que ia preso ao veículo, queimando lenha e produzindo gás combustível em substituição à gasolina, que praticamente desaparecera durante o período da Segunda Grande Guerra.

Em 1958 os Irmãos Frey contavam com duas serrarias, fábrica de caixas, um grande moinho, cantina vinífera, fábrica de crina vegetal, fábrica de pasta mecânica, açougue com matadouro, olaria e granja de suínos.

Ainda em 1943, os Frey constroem uma barragem no Arroio Passo Novo, com a finalidade de fornecer água para funcionamento da caldeira e locomóvel da serraria e para poder combater os frequentes incêndios, dando origem ao lago artificial (Lago das Araucárias).

Os irmãos Frey instalam um açougue e um armazém geral para atender aos primeiros moradores; criam a primeira escola, onde leciona por vários anos o professor Antonio Karasiak; providenciam um salão para reuniões e bailinhos; instalaram em 1944 um gerador de eletricidade, que passa a fornecer energia para as casas dos empregados; contratam o técnico Alberto Wengrath para instalar uma olaria; em 1951 constroem a enorme chaminé para a caldeira com os tijolos ali mesmo produzidos.

Divisão territorial
Em divisões territoriais datadas de 31-12-1936 e 31-12-1937, figura no município de Curitibanos, o distrito de Liberata.

No quadro fixado para vigorar no período de 1944-1948, o distrito de Liberata permaneceu no município de Curitibanos. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-7-1960.

Elevado à categoria de município com a denominação de Fraiburgo, pela lei estadual nº 797, de 20-12-1961, desmembrado de Curitibanos e Videira. Sede no antigo distrito de Liberata, atual Fraiburgo. Constituído de 2 distritos: Fraiburgo e Dez de Novembro. Desmembrado de Videira. Instalado em 31-12-1961.

Em divisão territorial datada de 31-12-1963, o município é constituído de 2 distritos: Fraiburgo e Dez de Novembro.

Pelo decreto legislativo nº 07, de 06-11-1979, da Câmara Municipal, homologado pelo decreto legislativo nº 1622, de 30-06-1980, da Assembleia Legislativa, o distrito de Dez do Novembro Foi extinto, sendo seu território anexado ao distrito sede de Fraiburgo.

Em divisão territorial datada de 18-8-1988, o município é constituído do distrito sede.

BREVE RELATO DA HISTÓRIA DOS FUNDADORES
1919. Fim da Grande Guerra que arrasou países europeus, como França e Alemanha. Nesta época atraída pela existência de mão-de-obra, paz e segurança milhares de imigrantes chegavam ao Brasil. Em um dos navios estava um homem com características de um grande desbravador e pioneiro. Carlos Guilherme Frey e com ele brotavam dos olhos dos quatro filhos, René, Arnoldo, Joana e Agnes (conhecida por Inês), luzes de esperança de uma nova vida num país tão distante e de outra cultura.

Após dois meses de viagem o navio francês ancorava no porto brasileiro de Salvador em 12 de outubro de 1919. Naquele instante o professor Guilherme deixava para traz um passado na longínqua Alsácia, onde perdeu a mulher Josephine, vítima da gripe espanhola. Uma curiosidade – a cegonha ilustrada no Brasão de Fraiburgo simboliza a Alsacia. Naquela região, as cegonhas costumam fazer seus ninhos nas chaminés de telhados das casas, por isso é considerada ave de bom agouro.

Voltando a história da saga da família Frey…. De Salvador partiram para o Rio de Janeiro, depois Triunfo e Panambi no Rio Grande do Sul. No entanto, foi na cidade paranaense de Castro que a vida realmente recomeçou, quatro anos mais tarde em 1923. Foi em Castro que os Frey conheceram a família Damaski, chefiada por João e Rosina, pais de Maria e Lydia. Foi a convivência que resultou anos mais tarde no casamento de René com Maria em 1925 e de Arnoldo e Lydia em 1931.

Na mesma época, na década de 30, os irmãos Frey decidiram desbravar o território catarinense, tendo como ponto de parada a localidade de Perdizes, hoje município de Videira, onde comercialmente optaram pela criação de um matadouro e a conseqüente fabricação de derivados de carne. Depois veio o ramo madeireiro, a emancipação de Fraiburgo e por fim, a fruticultura.

A primeira casa de alvenaria
Registros históricos apontam que a Casa da Família Arnoldo Frey começou a ser construída em 1948, ficando pronta dois anos mais tarde, em 1950, quando Fraiburgo ainda era denominada Butiá Verde. Mais de meio século atrás o município hoje conhecido como Terra da Maçã, não passava de um vilarejo, com poucas residências, buscando a verdadeira vocação econômica.

Naquela época a construção da primeira casa de alvenaria, não só de Fraiburgo como da região, atraía olhares curiosos de visitantes que vinham de localidades vizinhas para verificar de perto o andamento das obras.

Visto as dificuldades, que tornavam quase impossível a obtenção de areia e cimento, a opção foi assentar os tijolos com argamassa de barro. Fato que nos dias de hoje torna o local mais atrativo aos visitantes.

A única moradora e filha de Arnoldo Frey ainda viva, Erica Frey Caldart lembra que os momentos vividos no local foram de alegria. Segundo relatos da própria Erica, a mãe, dona Lydia tinha o dom de deixar a casa acolhedora. As maiores lembranças datam dos domingos, das reuniões em família e da falta de energia elétrica durante todo o dia, já que por ser domingo não havia expediente na pequena usina geradora da energia que abastecia a cidade.

Com a morte de Arnoldo Frey em 20 de julho de 1980, Lydia Frey demonstrou preocupação em transformar o local que por 30 anos abrigou a família em um ponto de referência para a história cultural da cidade que o marido ajudou a desbravar. Foi assim, que Lydia manifestou aos filhos Egon e Erica o desejo de deixar a comunidade fraiburguense a antiga casa, próxima ao lago, cercada pela natureza, o que veio a ocorrer em 17 de outubro de 1988, quando Lydia, o filho Egon e a esposa Aldany, a filha Erica e o marido Rui, proprietários do imóvel na época, realizaram a doação ao município da casa com 295 metros quadrados e do terreno com 35 mil metros quadrados, com a condição expressa que o imóvel fosse utilizado para fins exclusivamente educacionais, culturais e de lazer. Menos de um mês depois, em 5 de novembro falecia Lydia Damaski Frey.

Fonte: Site Prefeitura de Fraiburgo